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Como rentabilizar e criar valor para a conservação da floresta? Parte I

Atualizado: 20 de jan. de 2023



A Riqueza da Amazônia e sua importância


A floresta amazônica é a maior floresta tropical do mundo, abrigando uma diversidade de mais de 300 espécies de mamíferos, 1.300 espécies de aves, 1.800 espécies de peixes, mais de 500 espécies de répteis e anfíbios e mais de 400 comunidades indígenas, totalizando 20% da biodiversidade mundial. A Amazônia está presente em 9 países com mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, ocupando quase 60% do território brasileiro.

Além da rica biodiversidade em fauna e flora, a floresta tropical é composta por um complexo mosaico de ecossistemas que funcionam como provedores de serviços ecossistêmicos essenciais para as atividades econômicas e a subsistência humana. Sem eles, a humanidade poderia entrar em colapso. Esses serviços são a regulação do clima no planeta, padrões de chuva, fornecimento de alimentos e produtos medicinais, matéria-prima para a indústria, preservação de espécies cruciais, manutenção do desenvolvimento da agricultura em outras regiões do continente, manutenção dos níveis dos rios, entre muitos outros.


Além de ter esses serviços ecossistêmicos essenciais sendo fornecidos naturalmente, a Amazônia também conta com muitas comunidades tradicionais, como: indígenas e ribeirinhas, que geram sua subsistência e renda enquanto manejam a floresta em uma estrutura conservacionista.



Quem mora na Amazônia?


Seu sustento e papel na proteção da floresta

As comunidades tradicionais da floresta amazônica variam em múltiplos aspectos: a identificação do grupo como indígena, ribeirinho, quilombola ou outro. A configuração de tempo e motivo da migração para aquela região. O sustento. As atividades econômicas, e assim por diante.

Devido a essa caracterização de pessoas que vivem dentro da floresta amazônica, junto aos seus rios, ou em Unidades de Conservação, naturalmente, precisam fazer uso dos serviços e produtos fornecidos pela floresta, devido ao fato do desenvolvimento da construção civil na região norte caminhar em baixo ritmo - o que dificulta o acesso aos mercados dos centros urbanos-, ou como consequência da forte herança cultural presente em algumas populações.


Desde as antigas comunidades que povoaram ou nasceram na floresta, existe um entendimento cultural, às vezes até religioso, de apreciar, agradecer e cuidar da natureza, que é considerada, para eles, a grande provedora de chuva, fertilidade do solo, árvores, purificação do ar, lazer, alimentação em geral, remédios e muitos outros. Por isso, são considerados os maiores guardiões da floresta, por viverem em simbiose com ela e protegê-la.



A emergência da valorização dos recursos naturais e as metodologias



Como é marcante no noticiário diário mundial, a floresta amazônica está ameaçada por diversos fatores e agentes, incluindo atividades de expansão do agronegócio e ruralistas, projetos madeireiros, grilagem de terras, falta de políticas públicas efetivas ou mesmo desmonte de órgãos governamentais de fiscalização.

Comunidades indígenas e quilombolas lutam para ter suas terras homologadas como terras indígenas e quilombolas, o que garante seus direitos sobre a terra e seu bem-estar contra o desmatamento e o avanço da fronteira agrícola. De 2004 a 2014, o desmatamento no Brasil foi reduzido em 80%, e isso se deve à criação de áreas protegidas e à emissão de políticas que defendem a conservação dos recursos naturais. Portanto, é notório o alcance da redução do desmatamento por meio da criação e gestão de Unidades de Conservação.


As complicações em homologar terras indígenas ou criar Unidades de Conservação consistem na falta de compreensão da sociedade sobre a importância da conservação dos recursos naturais frente à exploração intensiva dos ecossistemas com uma lógica econômica, uma vez que as atividades econômicas dependem da floresta em pé e de seus ecossistemas conservados, e os produtos e serviços prestados pela floresta -quando esta é conservada e submetida a um modelo de gestão sustentável- podem gerar retorno financeiro e desenvolvimento regional ao mesmo tempo em que causam danos fortemente inferiores ao meio ambiente.


As estratégias atuais, como carbono, PSA e gestão de produtos florestais



Como nos dias de hoje os recursos naturais são tão subestimados e desvalorizados economicamente, muitas tentativas nos últimos anos tentaram estimar o real valor econômico de nossa biodiversidade, para demonstrar quanto custaria se a humanidade tivesse que pagar pelos serviços prestados pelos oceanos , florestas, animais, etc, numa perspectiva de retratar um cenário onde o atual modelo de produção global explorou os ecossistemas a um ponto sem volta.


Um esforço global de indústrias e governos de todo o mundo para combinar mecanismos de mercado e mitigação das mudanças climáticas foi percebido quando, como consequência da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em 1997, o Protocolo de Quioto foi criado e teve várias nações cumprindo seus objetivos, como nações comprometidas com emissões reduzidas em 5,2% até 2012, e também a criação e engajamento de um mercado de créditos de carbono.


Com empresas e indivíduos compensando suas emissões de forma escalável, a monetização do carbono decorrente do desmatamento evitado tornou-se popular e atraente e passou a funcionar não apenas como uma metodologia para valorizar a floresta em pé, mas também como um mercado confiável e nicho de negócios. Até agora, 46 países estão precificando as emissões por meio de impostos de carbono ou esquemas de comércio de emissões (ETS) e outros estão considerando isso.



Olhando mais de perto os mecanismos financeiros para a conservação ambiental no Brasil, também é válido destacar a Política de Pagamento por Serviços Ambientais


O que tem possibilitado que famílias assentadas, extrativistas e produtores rurais tenham um incentivo financeiro para conservar o entorno de suas terras. Em algumas realidades como na cidade de Extrema, no estado de Minas Gerais, a atividade mais comum no campo em 2012 foi o arrendamento de pastagens. Com um programa de investimentos do governo municipal que envolveu também ONGs e empresas do setor privado, o projeto “Conservador das Águas” possibilitou que as famílias se engajassem em ações conservacionistas na região pagando a essa população local um valor que superava a receita que teriam com o negócio de arrendamento de pastagens. Diante desses fatos, pode-se argumentar que o Brasil tem potencial para fomentar um cenário favorável ao desenvolvimento e aprimoramento de mecanismos financeiros para fins de conservação.



Analisando a região amazônica, como já mencionado sobre os serviços ecossistêmicos, chama a atenção o aumento da demanda por óleos e frutas para cosméticos, ou polpas de frutas e nozes para alimentação natural-gourmet-saudável em todo o mundo. Por exemplo, a exportação de açaí aumentou 15.000% em um período de dez anos. Já a exportação da Castanha do Brasil chega a sessenta países e já representou receita de US$ 20 milhões em vendas em 2021 - números 80% superiores aos de seis anos atrás. Isso significa que a demanda por produtos florestais amazônicos pode impactar positivamente não apenas a demanda pela conservação da floresta e seus recursos naturais, mas também o desenvolvimento de comunidades tradicionais que são protagonistas vitais no manejo da floresta e respeitando sua resiliência para atender a tal demanda.






Creditos

FÁVARO, Fernando, FLORES, Jussara. Aves da Estação Ecológica Terra do Meio, Pará, Brasil:resultados preliminares…

(Diegues, 2004), citado por Calegare, Higuchi e Bruno (2014) https://tinyurl.com/mr29zzmw

Maria Betânia Barbosa Albuquerque https://tinyurl.com/mu3t22v2

Loureiro (2004), citado por Calegare, Higuchi e Bruno (2014) https://tinyurl.com/2y5wn9ns





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